domingo, 30 de janeiro de 2011

O Anjo da Fraternidade

Estava a subir as longas escadas de pedra que davam enfrente a gólgota, chamada assim, por ser a representação espiritual da colina, onde foi o calvário de Jesus.

Fixei meus pés na beirada do monte, e de lá, avistei um grande vale, coberto de imensas flores amarelas e brancas do lado direito, e flores azuis e rosas do lado esquerdo. Ao centro, um imenso lago de águas cristalinas que refletiam o céu e os pássaros da mais bela plumagem.

Olhei para o meu lado direito, e percebi uma imensa pedra que poderia me deixar mais alta e poder vislumbrar a paisagem como seu eu mesma, fosse um pássaro e acabasse de aterrissar, mas, ansiosa a viagem retornar, num vôo de brisas refrescantes e lindas cenas naturais. Parei de pensar e subi a pedra com uma força dos deuses, pois, lembrei das palavras do Divino Amigo: “Vós sois deuses”, e aí então, acreditei que seria capaz, e fui.

Quando olhei a paisagem novamente, tive a enorme sensação de fazer parte da constelação de flores, folhas, terra, águas e céus, e que tudo era “um” e eu era “um”. Foi quando como desperta de um transe, ouvi uma voz masculina:

—Tu és uma centelha. Herdeira do divino e legado do homem. Fazes parte do todo, porque és essência!

Olhei assustada para o lado e dei de encontro com um homem alto, de pele branca, cabelos escuros encaracolados e olhos azuis vibrantes. Ele carregava uma enorme espada, que a deixou fincada na terra.

Não consegui dizer uma única palavra, é como se elas sumissem de minha garganta, mas, não do coração. Pois, esse, pulsava forte num compasso de êxtase e temor. Mas, logo o temor não deixou resquícios, pois, a vibração de ternura e amizade tomou conta de meu íntimo, e a certeza da luz, me acolheu por completo.

Aquela figura altiva apontou-me a gólgota e percebi que ao lado dela havia uma imensa cruz, tendo como base uma forte rocha. Ela estava cravada. Mais uma vez o ser “um” se representou aos meus olhos. Ele sorriu, e disse:

— A fé é o estímulo verdadeiro do cristão, a base da cruz, a rocha que não desvanece por milhares de anos. E a cruz, o amor vivo e complacente da verdadeira luz guia, dos cegos na ignorância.

Nesse momento, retirou a espada fincada na terra e a mostrou apontando-a em direção ao céu e completou:

— A verdadeira batalha é fazer-nos luz, íntima e profunda, para que sejamos capaz de alçar um vôo linear as estrelas, como um pássaro guia que deixa suas penas luminosas pelo caminho, para que outros possam segui-lo.

Diante das palavras emitidas ao meu pensamento, meu corpo estremeceu, meus olhos fecharam, e uma brisa forte envolveu-me arrastando-me inerte aos braços daquela cruz, e ali fiquei, agarrada, protegendo-me confiante, do vento que se fazia cada vez mais forte. Inebriada, fui arrancada da cruz e abri meus olhos. Ofegante, reconheci meu lar, meu quarto, meus pertences. Sentei-me a beira da cama, impulsionei-me, ainda abatida, em direção a janela, abrindo-a rapidamente. Vi as estrelas ao longe, brilhantes. Suspirei, agradeci, chorei e adormeci.

Ana Rosa Zuffo

11 comentários:

  1. Amiga, que experiência maravilhosa!!!
    Fiquei impressionada com os detalhes! Realmente a espiritualidade não nos deixa sozinhos, nunca!
    Fiquei imensamente feliz pela sua viagem!

    Um beijo no coração!

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  2. Ana Rosa;

    Muito grato pela visita em meu blog. suas palavras foram estremamente generosas... me ajudou muito! Que possamos trocar experiências nessa trilha do despertar da consciência.

    Abraço fraterno

    Marcio

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  3. Rosinha!

    Que experiência fantástica!
    As mensagens transmitidas foram de conteúdos muito profundos.
    Que você possa guardar em sua alma as lembranças e a energia da vivência.

    Beijos de luz.

    Celi.

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  4. Obrigada amigas e amigo queridos pelas palavras de incentivo, foi uma inspiração, que a muito não tinha! As palavras e imagens se apresentam como num lindo sonho! Beijos de luz no coração!!

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  5. Teu sensível relato revela que somos feito de energia e a linguagem são os símbolos maravilhosos nele contidos
    Pensamentos de Luz

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  6. Ana Rosa,

    Que bela msg. A experiência q viveu é compartilhada com os que tem "olhos de ver e ouvidos de ouvir". A espiritualidade sempre nos transmite avisos e preciosas lições, e faz isso de acordo com a nossa sintonia, percepção e entendimento.

    bj e muita luz!

    Mário

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  7. Obrigada aos amigos Nelson e Mário, pela sensibilidade e pelo carinho. fico feliz de compartilhar as mensagens, com o coração sublime dos amigos! Beijos de luz!!!

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  8. Aninha, tenha sempre lindos sonhos assim! A comunicação simbólica é somente para aqueles que possuem sensibilidade apurada, moral e inteligência iluminada.

    Beijos de luz!

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  9. Obrigada meu irmão, pelas palavras carinhosas!!
    Beijos de muita luz tb!!

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  10. Seu relato demonstra muita sensibilidade e desprendimento, além de muito amor e paz. Sabe, li tres vezes....e voltarei outras mais! Beijinho.

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  11. Prima querida! Obrigada por compartilhar! Fiquei muito feliz! É assim mesmo, pra cada momento as palavras se tornam novas! Beijos de luz no coração!

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